Uma operação da Polícia Civil deflagrada na manhã desta sexta-feira (20) revelou um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado em Cáceres. Batizada de Operação Conluio Pantaneiro, a ação identificou ao menos 12 empresas utilizadas para dar aparência legal a recursos provenientes do tráfico de drogas.
Entre os alvos, uma empresa local de instalação e manutenção de ar-condicionado chamou a atenção dos investigadores pelo volume financeiro incompatível com sua atividade.
De acordo com apurações da Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado, o proprietário utilizava contas distintas para tentar ocultar a origem ilícita dos valores.
Enquanto os pagamentos de serviços legítimos eram direcionados à conta pessoal, as contas empresariais recebiam grandes quantias ligadas ao tráfico. Somente em 2023, as movimentações atribuídas à empresa somaram R$ 4.894.253,48, valor considerado incompatível com a realidade do setor.
Em um período de apenas dois meses, a empresa recebeu R$ 1.315.000,00 de uma pessoa jurídica de fachada do estado de São Paulo. A responsável por essa empresa foi presa durante a operação.
As investigações apontam que a organização criminosa era comandada por um morador de Cáceres e atuava em toda a cadeia do tráfico, desde a entrada da droga pela fronteira até a distribuição para estados como Paraná e São Paulo.
Ao todo, o esquema envolvia cerca de 20 pessoas e 12 empresas, utilizadas como “laranjas” para ocultação de patrimônio, movimentando aproximadamente R$ 54 milhões.
A ação integra o programa Tolerância Zero, dentro da Estratégia Pharus, e segue com diligências em Cáceres e em Cuiabá, incluindo o sequestro de bens e veículos de luxo.
Segundo a Polícia Civil, o desmantelamento do núcleo financeiro representa um golpe significativo contra a facção criminosa, por atingir diretamente a estrutura econômica que sustenta as atividades ilegais.




































